Falar de mim mesma so pra mim as vezes cansa.
A mesma perseguicao de sempre?
Espero logo encontrar o antidoto.
Porque hoje eu sou só objeto de todas as coisas, sou toda pele e poros abertos, toda ouvidos, toda sabor e paladar.
terça-feira, fevereiro 08, 2011
Entre uma praia pra morar, uma tatuagem e um laboratorio,
me fico em Londres;
Num ap globalizado,
num colchao de ar, inflavel,
do peito do namorado,
me fico.
Ah, a falta de quietude de tantos dezoito anos,
do fervor da decada de 90.
A falta de senso, de tato, de gosto e de pudor.
A delicia unica da falta de juizo
(e de tantas traducoes simultaneas).
A delicia impagavel da luz baixa,
de chocolates e musicas italianas,
do som limpo de um violao virgem e de goodnight kisses.
A delicia daquilo que mesmo depois de pronto, nao acaba.
me fico em Londres;
Num ap globalizado,
num colchao de ar, inflavel,
do peito do namorado,
me fico.
Ah, a falta de quietude de tantos dezoito anos,
do fervor da decada de 90.
A falta de senso, de tato, de gosto e de pudor.
A delicia unica da falta de juizo
(e de tantas traducoes simultaneas).
A delicia impagavel da luz baixa,
de chocolates e musicas italianas,
do som limpo de um violao virgem e de goodnight kisses.
A delicia daquilo que mesmo depois de pronto, nao acaba.
Calem-se, calem-se todos!
Calemos, juntos, para que nada se ouca alem dos nossos pensamentos.
O meu, sei bem onde fica,
sei bem onde esta e onde estacionou ha horas.
Calada assim, calados todos, talvez se possa ouvir la ao longe
qualquer movimento de onde meu pensamento chega:
de la, depois do mar,
talvez eu ouca um farfalhar de asas do caminho de volta,
entao calem-se,
calemos todos no mais profundo e limpido silencio.
Estatico, assim calado,
posso ate ver o fio
- que agora sei ser azul-claro -
que conecta la e ca.
O fio que vai
e o fio que vem
(as vezes temo que se encontrem e, pelo meio do caminho, papeiem,
esquecendo a missao original).
Quanto desencontro se um fio, desses,
se quebra,
desvia,
se esquece,
quanto desencontro!
Quanta agua que cai, que rola, se um fio desses
resolve virar corda,
resolve nele mesmo se enrolar ,
quanto sal.
Me encanta a perfeicao do corpo,
humano.
Calemos, juntos, para que nada se ouca alem dos nossos pensamentos.
O meu, sei bem onde fica,
sei bem onde esta e onde estacionou ha horas.
Calada assim, calados todos, talvez se possa ouvir la ao longe
qualquer movimento de onde meu pensamento chega:
de la, depois do mar,
talvez eu ouca um farfalhar de asas do caminho de volta,
entao calem-se,
calemos todos no mais profundo e limpido silencio.
Estatico, assim calado,
posso ate ver o fio
- que agora sei ser azul-claro -
que conecta la e ca.
O fio que vai
e o fio que vem
(as vezes temo que se encontrem e, pelo meio do caminho, papeiem,
esquecendo a missao original).
Quanto desencontro se um fio, desses,
se quebra,
desvia,
se esquece,
quanto desencontro!
Quanta agua que cai, que rola, se um fio desses
resolve virar corda,
resolve nele mesmo se enrolar ,
quanto sal.
Me encanta a perfeicao do corpo,
humano.
Porque num segundo, num segundo
eu vou da vida a morte, da morte a vida,
da flor que antes de nascer se esconde
a onda que antes de quebrar se entrega.
Do vinho nunca aberto ao pao nunca feito,
eu passo.
Como sol que caminha a passos vagarosos toda a imensidao do dia,
passam por mim pensamentos em correnteza.
Nesse meu ceu as ideias passam, as cores, as cenas,
as minhas constelacoes nessa abobada terrestre.
Imito (quase) sem saber
os movimentos maiores do universo.
Meu eu é meu proprio mundo,
e eu sou para conhecer e explorar tantos outros universos pessoais.
Agora.
Hoje.
Porque logo,
mais tarde,
nao sei.
eu vou da vida a morte, da morte a vida,
da flor que antes de nascer se esconde
a onda que antes de quebrar se entrega.
Do vinho nunca aberto ao pao nunca feito,
eu passo.
Como sol que caminha a passos vagarosos toda a imensidao do dia,
passam por mim pensamentos em correnteza.
Nesse meu ceu as ideias passam, as cores, as cenas,
as minhas constelacoes nessa abobada terrestre.
Imito (quase) sem saber
os movimentos maiores do universo.
Meu eu é meu proprio mundo,
e eu sou para conhecer e explorar tantos outros universos pessoais.
Agora.
Hoje.
Porque logo,
mais tarde,
nao sei.
Paris
O pulso da parada de Saint Paul.
O pulso do quarto andar,
da porta que abre,
do quarto,
da dor de cabeca e do sapato no chao.
De musicas e pinturas traduzidas.
Do tao quente,
do tao frio,
do outro peito pulsando no meu peito,
do suor e do descanso.
O pulso vermelho do sono e da manha.
Da porta que abre, que fecha,
que abre e que fecha seguido.
O pulso azul do dia,
e o pulso amarelo da volta.
O pulso do quarto andar,
da porta que abre,
do quarto,
da dor de cabeca e do sapato no chao.
De musicas e pinturas traduzidas.
Do tao quente,
do tao frio,
do outro peito pulsando no meu peito,
do suor e do descanso.
O pulso vermelho do sono e da manha.
Da porta que abre, que fecha,
que abre e que fecha seguido.
O pulso azul do dia,
e o pulso amarelo da volta.
quarta-feira, novembro 11, 2009
Um bilhetinho,
tudo por um bilhetinho
que voce leu,
e esqueceu.
Meu deus!
Tudo por poesia na minha pele,
bicos e interrogacoes.
Me liquefaco,
derreto feito calda
(feito dulce de leche)
quando se quebra o seu silencio.
Com poucas palavras
voce me ganha,
duas ou tres frases
e eu me rendo.
Conversa de namorado.
De namorado!
Sorriso...
tudo por um bilhetinho
que voce leu,
e esqueceu.
Meu deus!
Tudo por poesia na minha pele,
bicos e interrogacoes.
Me liquefaco,
derreto feito calda
(feito dulce de leche)
quando se quebra o seu silencio.
Com poucas palavras
voce me ganha,
duas ou tres frases
e eu me rendo.
Conversa de namorado.
De namorado!
Sorriso...
terça-feira, janeiro 20, 2009
Sou eu, eu e mais ninguém.
Sou eu que me deito comigo mesma
pra falar de qualquer coisa,
falar nem sei de que.
Sou eu e meus desenhos,
eu e minhas marcas,
eu e minhas rosas, fadas, notas e corações.
Sou eu e a minha poesia de corpo,
eu e a melodia da saliva minha.
Eu e meu próprio silêncio,
meu próprio diálogo e monólogo,
meu teatro.
Minhas conjecturas (caras, todas muito caras),
meu alfabeto mono-poli-linguístico.
Eu e minhas sinapses,
minha química,
meus botões (que nem tenho).
Eu e a minha contagem do tempo,
meu segundo de duração totalmente particular,
meus lençois e meu sonhado cheiro de lavanda.
Meus adorados cachos.
Eu e eu.
Sou eu que me deito comigo mesma
pra falar de qualquer coisa,
falar nem sei de que.
Sou eu e meus desenhos,
eu e minhas marcas,
eu e minhas rosas, fadas, notas e corações.
Sou eu e a minha poesia de corpo,
eu e a melodia da saliva minha.
Eu e meu próprio silêncio,
meu próprio diálogo e monólogo,
meu teatro.
Minhas conjecturas (caras, todas muito caras),
meu alfabeto mono-poli-linguístico.
Eu e minhas sinapses,
minha química,
meus botões (que nem tenho).
Eu e a minha contagem do tempo,
meu segundo de duração totalmente particular,
meus lençois e meu sonhado cheiro de lavanda.
Meus adorados cachos.
Eu e eu.
quarta-feira, janeiro 07, 2009
E eu penso que todos os poetas são poetas dos olhos. Alguns, são poetas fotográficos, e há, de certo, poetas para todos (e de todos) os sentidos. O poeta do gosto, que delira com um morango ou framboesa; o poeta do cheiro, provavelmente com um pezinho no passado - um vestido (guardado), um cabelo, um bolo de laranja feito pela vó.
O poeta do som talvez possa ser o músico, mas não: ainda é o poeta do som, da sinfonia dos passos cruzando a calçada, da babel de um metrô parisiense, londrino, paulistano...
Pobre daquele que é poeta da pele. As prateleiras da botica do tato são de certo as mais vazias, as de menos e mais exóticas palavras. Penso no poeta da pele como um homem enlouquecido, com tanto pra dizer em uma tarefa quase impossível: sinapses, sinapses, sinapses. Depois de muito, ele atira o chapéu ao chão, toma um café e se cala, pensando que talvez, melhor ser pintor.
Dos dedos, narinas, da língua, ouvidos: todos os poetas são poetas dos olhos.
O poeta do som talvez possa ser o músico, mas não: ainda é o poeta do som, da sinfonia dos passos cruzando a calçada, da babel de um metrô parisiense, londrino, paulistano...
Pobre daquele que é poeta da pele. As prateleiras da botica do tato são de certo as mais vazias, as de menos e mais exóticas palavras. Penso no poeta da pele como um homem enlouquecido, com tanto pra dizer em uma tarefa quase impossível: sinapses, sinapses, sinapses. Depois de muito, ele atira o chapéu ao chão, toma um café e se cala, pensando que talvez, melhor ser pintor.
Dos dedos, narinas, da língua, ouvidos: todos os poetas são poetas dos olhos.
quarta-feira, agosto 20, 2008
A lua branda, grávida e amarela,
paira num horizonte ainda dia.
Em cada esquina (em uma bicicleta que não é minha),
páro os pedais e me sustento, em pé,
a vendo sumir e se mostrar entre as casas residenciais.
Respiro moléculas de lua, trazidas por um vento
distante e sereno,
que vindo de longe viajam
para encontrar a superfície da minha pele.
Como é plena uma molécula lunar
ao beijar uma célula terrestre
e como é pura qualquer coisa que se deixe
acariciar por uma brisa de além-mundo.
As estrelas em sua rotina celeste
sussurram notas de bossa
(ou seriam versos d'água de Neruda?)
e a cada fusa, a cada pausa,
cada mínima que entra, a cada linha,
desvaneço.
Se esvai qualquer traço de tristeza,
de angústia, choro, fome ou desespero.
Cada poro é embebido em plenitude
e cada nervo é completado por um cheiro.
E resgato essa delicia quando quero
essa noite em que a lua foi só minha
e na qual fui sua clara e plenamente.
Não seria, essa troca, fantasia?
E se ela se doasse a outros seres?
Pouco importa a exclusividade dela
ou se ela foi cantar pra outras flores
a imagem é só minha, e é só meu
o impacto dessa brisa em meus amores
Não me deixo permitir nem por um dia
esquecer essa sinestesia pura
pra que o cheiro, a calma, a bossa e a partitura
não se sumam nem me deixem como nua
mesmo o dia tomando o seu campo escuro
Não há risco que essa pauta o sol derreta.
paira num horizonte ainda dia.
Em cada esquina (em uma bicicleta que não é minha),
páro os pedais e me sustento, em pé,
a vendo sumir e se mostrar entre as casas residenciais.
Respiro moléculas de lua, trazidas por um vento
distante e sereno,
que vindo de longe viajam
para encontrar a superfície da minha pele.
Como é plena uma molécula lunar
ao beijar uma célula terrestre
e como é pura qualquer coisa que se deixe
acariciar por uma brisa de além-mundo.
As estrelas em sua rotina celeste
sussurram notas de bossa
(ou seriam versos d'água de Neruda?)
e a cada fusa, a cada pausa,
cada mínima que entra, a cada linha,
desvaneço.
Se esvai qualquer traço de tristeza,
de angústia, choro, fome ou desespero.
Cada poro é embebido em plenitude
e cada nervo é completado por um cheiro.
E resgato essa delicia quando quero
essa noite em que a lua foi só minha
e na qual fui sua clara e plenamente.
Não seria, essa troca, fantasia?
E se ela se doasse a outros seres?
Pouco importa a exclusividade dela
ou se ela foi cantar pra outras flores
a imagem é só minha, e é só meu
o impacto dessa brisa em meus amores
Não me deixo permitir nem por um dia
esquecer essa sinestesia pura
pra que o cheiro, a calma, a bossa e a partitura
não se sumam nem me deixem como nua
mesmo o dia tomando o seu campo escuro
Não há risco que essa pauta o sol derreta.
sábado, março 08, 2008
A pedidos, Neruda
“Tu perguntas o que a lagosta tece lá embaixo com seus pés dourados.
Respondo que o oceano sabe.
E por quem a medusa espera em sua veste transparente?
Está esperando pelo tempo, como tu
Perguntas sobre as plumas do rei pescador que vibram nas puras primaveras dos mares do sul.
Quero te contar que o oceano sabe isto: que a vida em seus estojos de jóias, é infinita como a areia, incontável, pura; e o tempo entre as uvas cor de sangue tornou a pedra dura e lisa, encheu a água-viva de luz, desfez o seu nó, soltou os seus fios musicais de uma cornucópia feita de infinita madrepérola.
Sou só a rede vazia diante dos olhos humanos na escuridão e de dedos habituados à longitude do tímido globo de uma laranja. Caminho, como tu, investigando a estrela sem fim e em minha rede, durante a noite, acordo nu. A única coisa capturada é um peixe preso dentro do vento”.
Respondo que o oceano sabe.
E por quem a medusa espera em sua veste transparente?
Está esperando pelo tempo, como tu
Perguntas sobre as plumas do rei pescador que vibram nas puras primaveras dos mares do sul.
Quero te contar que o oceano sabe isto: que a vida em seus estojos de jóias, é infinita como a areia, incontável, pura; e o tempo entre as uvas cor de sangue tornou a pedra dura e lisa, encheu a água-viva de luz, desfez o seu nó, soltou os seus fios musicais de uma cornucópia feita de infinita madrepérola.
Sou só a rede vazia diante dos olhos humanos na escuridão e de dedos habituados à longitude do tímido globo de uma laranja. Caminho, como tu, investigando a estrela sem fim e em minha rede, durante a noite, acordo nu. A única coisa capturada é um peixe preso dentro do vento”.
sábado, fevereiro 16, 2008
Sou poeta dos olhos,
poeta; mas apressada que sou,
quando nasci
e vi o milagre de tudo
acontecer,
não esperei.
Não dei tempo para que amadurecessem,
em mim, as palavras,
e me fiz poeta dos olhos.
Me arrefece
a molície de Neruda,
suas ameixas,
o rio da tribo de Caeiro
e a poesia que declamam,
em minha casa,
as violetas e as flores do hibisco.
Me enfarta a melodia de Amélie.
Espero o dia em que morrerei
afogada com a poesia da vida na garganta.
poeta; mas apressada que sou,
quando nasci
e vi o milagre de tudo
acontecer,
não esperei.
Não dei tempo para que amadurecessem,
em mim, as palavras,
e me fiz poeta dos olhos.
Me arrefece
a molície de Neruda,
suas ameixas,
o rio da tribo de Caeiro
e a poesia que declamam,
em minha casa,
as violetas e as flores do hibisco.
Me enfarta a melodia de Amélie.
Espero o dia em que morrerei
afogada com a poesia da vida na garganta.
segunda-feira, maio 01, 2006
Giz-de-cera
"Me traduzo, em indecência, em giz-de-cera;
as certezas, pinto com giz-de-será.
Qual será o giz do ser, o giz da essência?
E quão fino ou grosso é o traço do andar?"
as certezas, pinto com giz-de-será.
Qual será o giz do ser, o giz da essência?
E quão fino ou grosso é o traço do andar?"
Giz-de-cera
"Me traduzo, em indecência, em giz-de-cera;
as incertezas, pinto com giz-de-será.
Qual será o giz do ser, o giz da essência?
E quão fino ou grosso é o traço do andar?"
as incertezas, pinto com giz-de-será.
Qual será o giz do ser, o giz da essência?
E quão fino ou grosso é o traço do andar?"
sexta-feira, março 03, 2006
Cantiga pra ninar
"Me leia em entrelinhas,
entre dez mil andorinhas,
mas leia
mas seja
mas note
Me envolva em um valsado,
pode ser mal ritmado,
mas dance
mas canse
mas rode
Me trance em teus abraços,
faça dos teus dedos laços,
mas sinta
pressinta
me enrole
Me altere os pensamentos,
lance-os entre arvoredos,
mas ouça
assim, rouca,
a sorte
E se entre as dez mil linhas,
entre meios de andorinhas,
houver
só fim
só ponto
Não se prenda em minhas notas,
em meus lençóis, minha porta,
e vá
mas volte
enfim"
entre dez mil andorinhas,
mas leia
mas seja
mas note
Me envolva em um valsado,
pode ser mal ritmado,
mas dance
mas canse
mas rode
Me trance em teus abraços,
faça dos teus dedos laços,
mas sinta
pressinta
me enrole
Me altere os pensamentos,
lance-os entre arvoredos,
mas ouça
assim, rouca,
a sorte
E se entre as dez mil linhas,
entre meios de andorinhas,
houver
só fim
só ponto
Não se prenda em minhas notas,
em meus lençóis, minha porta,
e vá
mas volte
enfim"
domingo, fevereiro 19, 2006
Conto de Copas e Espadas
_____"Não era uma vez, mas uma vez aconteceu...e por acreditar nos contos e nas fadas das crianças é que se pôde no assoalho perceber a agitação de umas caixas de baralho, e espiar mais de pertinho pra saber qual o motivo do barulho e da lambança. Foi uma dessas meninas que viu, do lado de cima, e que depois contou o conto, sem ponto de aumento nem nada; e que acredite quem puder voar mais alto...
_____Mas o caso que se conta, no final do fim das contas, é que sem que ninguém desconfie as cartas juntam-se, imagine!, duas vezes por quartil, numa espécie de in memmorium lá por volta de Abril, onde dançam, bailam e bebem vinte dias sem parar. Cada naipe traz consigo uma espécie de homenagem que remonta aos tempos dos mouros, dos cavalos e moagens, das toadas, das cantigas, histórias imaginadas. Eis que esse ano, justamente, Copas e Espadas resolveram juntar mentes, e juntamente cantar para os outros uma história, da glória, luta e memória de uma vila, a das Cem Horas. Depois do Ouro e de Paus, foram os Reis de cada qual representar toda a família. E o que disseram com ribaltas, mil violinos e flautas, foi que um dia foram vivos como todo bom humano, até que um amor mal visto alterou de vez os planos, e acabou na perdição. Copas, Paus, Ouro e Espada foram quatro linhagens distintas, cada qual com seu Rei e seu reino, mas todos numa só vila, mesmo não convivendo com jeito.
_____Um desavisado rapaz, de Copas e andando em paz, passou dos limites de um reino e acabou por passar, com efeito, pro reino que estava ao lado. Encontrou uma donzela que jamais se viu tão bela e que tomou seu coração, com doçura em uma mão e Espada em anel forjado. E a tal moça que ali estava colhendo umas flores, sentada, nem sentiu que o vento leve na verdade traria, em breve, um amor pra ser guardado.
_____Sem ligarem pro depois congelaram o agora, e embaixo de um pé de amora foram levados pela tarde, embalados por um mar de brisa e surtos de vontade. As horas duraram anos onde os toques mais profanos transformaram-se em carinhos, e a relva e o céu de veludo selaram assim em conjunto toda a musicalidade. Da dor fez-se o abraço, da mesmice, o cansaço, e das grades, aliança, de modo que ao despertar prometeram se encontrar no amanhã pra mesma dança.
_____Não viveram nesse dia, permaneceram planando enquanto a manhã se ria, esperando pelo instante em que os dois amantes insanos concretizariam seus planos. Chegado o singelo momento os dois jogaram-se ao relento desejando morrer pelo agora, e as cenas de outrora se repetiram eternamente. Mas na mente de um soldado que passava ali ao lado algo estranho acontecia, naquela hora do dia os campos sempre estavam calmos. Mas de onde vinham os risos que se ouviam lá de longe, como pássaros feridos cujo canto ecoa aos montes? Foi averiguar o fato, e qual foi sua surpresa quando reparou no ato de pureza e desacato?
_____Sem demora e resolutos, ainda tomados de susto, os três se entreolharam desejando se esconder. Porém o soldado do Rei, leal ao seu mestre de Copas, correu pela trilha de volta pra contar o acontecido, e acometido de raiva arrastou pela estrada o encantado pela Espada. A moça, entregue aos prantos, viu quebrar-se todo o encanto do infinito em um segundo, e em silêncio ali ficou vendo o céu cair no mundo por três horas sem parar, tentando acreditar que não foi sonho ou delírio. No campo cresceu uma flor brotada de sal e dor que ali por fim nasceu, depois que a brisa bateu e levou o amado embora: assim que surgiu o Lírio.
_____Para o moço o caminho demorou eternidade, pois tomado de saudade os ponteiros se arrastavam; com receio de jamais voltar a ver sua donzela, deixou pistas para ela sob forma de recados, e em galhos pendurou (longe das vistas do soldado) dezenas de flores que achou, embebidas de orvalho; assim pôde ir de encontro ao julgamento que teria, sabendo que cruel seria por tão grande a falta feita.
_____Chegando ao palácio real foi mandado a esperar enquanto o sagaz escudeiro foi, com pressa, ao Rei contar. Em instantes o que se ouviu foi um brado e um estrondo, que enchendo o salão de medo pôs o moço a ficar tonto: “Falta de juízo e senso eu já tinha visto antes, mas tinha você que se meter em tal volúpia e vil romance? Como Majestade de acerca me cabe tomar a atitude de condená-lo à desgraça para manter-se a virtude; será o primeiro exemplo e o último, faço gosto, de que Copas não são feitos pra se misturarem ao povo! E mandem pregar agora em toda praça o recado de que aqui nas minhas terras, com morte se paga o pecado!!”
_____O caso correu nos vales e pousou em todo o canto, de modo que os moradores estagnaram de espanto. A mocinha enamorada desfaleceu na calçada ao saber do triste fim que enfim teria a sua história, e tratou de, sem demora, ir até a praça central onde encerraria afinal o que mal tinha começado. Encontrou pelo trajeto as flores deixadas ao certo pelo amor que procurava...tratou de achar um disfarce para assistir ao desastre e tentar impedir o crime, mas chegando lá se deu conta de que havia fogueira pronta esperando cumprir-se a sentença.
_____O povo todo da vila pôs se a postos ao redor da fumaça que subia prum céu de pesar que, triste, assistia a folia. Trouxeram então amarrado e com capuz, o condenado, que parecia aceitar o mal tão irremediável. A desesperada menina, vendo tudo da esquina, pulou e chegou num salto aos pés do vendado, ao alto, clamando por piedade, e tomada nem se sabe de que tipo de euforia, desvencilhou-se dos guardas e como que por magia, foi ter ao lado do amigo, pra surpresa da cidade.
_____Disparou-se num discurso pra botar banca no povo, pois achava pouco justo sufocar o amor em dobro, e o que disse foi descrito como narra-se agora: “Não vêem, pobres tolos, que encontrar paixão demora? Não sentem em suas rotinas a falta dessa presença? De dar lugar ao carinho em lugar da indiferença? De que vale um reinado quando imerso em egoísmo, onde sequer se percebe que o amor é um correr riscos?...se divertem assistindo duas almas a ruir, um encontro separado, o egoísmo a difundir? Não me canso em ter tristeza por ver tudo tão perdido, e quando acho que me encontro me é tirado o que preciso?”
_____As palavras desfizeram-se no ar no mesmo ato, e as nuvens se lamberam pelas chamas como em quadro. Do peito da moça viu-se como sólido o soluço e rosto quase de vidro, nocauteado e não-vivo, desfez-se de puro susto...correu quase como em vôo até onde o vento levasse, e foi parar num rio rouco pedindo que a vida acabasse. E então tudo foi calor, tudo foi dia e foi delícia, o riso frouxo voltou sem saber pra onde ia, o corpo se transformou sem ver o que acontecia, fundiu-se aos pés de Laranja, de Amora e de Artemísia.
_____Ao ver-se de novo tão louco, o corpo falhou ao olhar, não podia acreditar no que já não admitia: não via em brasas o chão, sumiu toda a multidão, confusão já não havia. Levantou-se para ver se era real o que vivia, e notou tudo igual, tal qual como conhecia; porém tudo era mais vivo, tudo era mais claro, tudo era tranqüilo, e até o que era igual (como ao longe, o roseiral) ficou mais bonito ao dia. O ar dançou nova dança, o mato mostrou-se em trança e as cores ganharam nuances...o pôr-do-sol, já tão puro, mostrou-se então tão seguro como nunca havia antes, e o mar bateu no rochedo de uma forma que, nos dedos, podia sentir-se a firmeza.
_____Imaginem a surpresa quando ainda tonta e presa às imagens já formadas, viu surgir a alma amada montada em raio de luz. Planou um metro em distância, embebida na fragrância que exalam os sinceros, e desafiou as leis que encarceram a matéria quando quis, por inteiro séria, juntar seus corpos num ponto. Os braços se enovelaram de um modo que terminaram de selar o já selado, e longe e livres de tudo se foram, a correr mundo, nesse mundo novo e pronto.
_____Lá atrás as pessoas ficaram do jeito que estavam antes: o mesmo cachorro passava, o mesmo padeiro prensava, a mesma chuva caía... o mesmo dia findava, a mesma senhora varria...e o mesmo mesmo acontecia. Diferente, de verdade, foi a criança que assistia. Vendo o circo ali formado e desfeito num estalo, deixou mostrar-se sua forma natural, bruta, sombria, e aos muitos olhos crescia o que não se imaginava – a menina ali parada era alma a ver a armada, e que agora já não ria. Ao ver os pares de olhos ali fixos, bem parados, resumiu sua morada, seus motivos, seus recados:
_____“Não venho de longe nem perto, venho de um lugar que, ao certo, é bem diferente deste. Me cansei de ver aqui, já que sempre os observo, valores caindo com os dias e ordem marcada com ferro. Intercedo pelos povos que acredito já há tempos, e acompanho as mudanças, pondo em pratos de balança as faltas e avanços feitos...quis crer numa forma pura de bondade e amor divino, mesmo que muito escondido, morando nos peitos seus. Ao que encontro, dou adeus!, não quero ter de ter parte em tal forma injusta de arte onde há o forte e há o fraco, há o moralista e o errado, o rei e o mendigo nato. Há névoa por toda parte escondendo-lhes, na verdade, o real valor da vida...por isso julgo-me sábio e em poder de tecer meio que poupe mais sofrimento, mas que ensine ao melhor jeito o singular que é o viver.”
_____Na praça alguns gargalharam com a louca que, juravam, era maga ou semelhante, mas tirando as reações (diversas como estações), nada movimentava. Continuou a falar e o tal trato, a reforçar, explicando enquanto andava:
____“O meio é simples, consiste em trocar tudo o que existe pra vocês por outro mundo. Serão outra forma de vida, viverão dez mil partidas, cada qual terá seu lucro...serão por fim retornados ao modo a que estão adequados e as coisas serão como antes, exceto pela diferença que sentirão ao, na mesa (de jogo), serem descartados. Verão como é ser desprezado, e como é ser importante; o Rei saberá da exaustão, como é depender de outra mão, e o bobo seguirá adiante, dessa vez como Curinga e não mais sendo da corte. As linhagens existentes seguirão outras vertentes e ao final, se mesclarão; os artesãos serão Ases, e os moradores as bases desse jogo então formado. Por adiantamento é o que digo, o resto será esculpido por vocês a cada dia.”
_____A praça se viu num clarão mais forte que a luz do dia, e a fumaça que, há tempos, da fogueira já subia, retornou e começou a descer e a tomar corpo, pegou todos tão absortos pelo discurso eloqüente que nem pôde se mostrar tão grandiosa e envolvente quanto realmente queria.
_____O resto (ou metade) da história é o ponto de partida, e a festa celebrada é uma forma imaginada de voltar aos velhos tempos. Como cartas já se sabe ou se imagina o que acontece: muito mais fácil pensar, mais horas pra filosofar, idéias lançadas ao vento; mais leves pra se sonhar com o mundo que, ao voltar, verão mais singelo e mais lento...portanto se uma carta ou baralho todo sumir um dia, não se espante e feliz fique, pois dez mil partidas se foram e mesmo com todo o retorno, não se foi a fantasia...”
_____Mas o caso que se conta, no final do fim das contas, é que sem que ninguém desconfie as cartas juntam-se, imagine!, duas vezes por quartil, numa espécie de in memmorium lá por volta de Abril, onde dançam, bailam e bebem vinte dias sem parar. Cada naipe traz consigo uma espécie de homenagem que remonta aos tempos dos mouros, dos cavalos e moagens, das toadas, das cantigas, histórias imaginadas. Eis que esse ano, justamente, Copas e Espadas resolveram juntar mentes, e juntamente cantar para os outros uma história, da glória, luta e memória de uma vila, a das Cem Horas. Depois do Ouro e de Paus, foram os Reis de cada qual representar toda a família. E o que disseram com ribaltas, mil violinos e flautas, foi que um dia foram vivos como todo bom humano, até que um amor mal visto alterou de vez os planos, e acabou na perdição. Copas, Paus, Ouro e Espada foram quatro linhagens distintas, cada qual com seu Rei e seu reino, mas todos numa só vila, mesmo não convivendo com jeito.
_____Um desavisado rapaz, de Copas e andando em paz, passou dos limites de um reino e acabou por passar, com efeito, pro reino que estava ao lado. Encontrou uma donzela que jamais se viu tão bela e que tomou seu coração, com doçura em uma mão e Espada em anel forjado. E a tal moça que ali estava colhendo umas flores, sentada, nem sentiu que o vento leve na verdade traria, em breve, um amor pra ser guardado.
_____Sem ligarem pro depois congelaram o agora, e embaixo de um pé de amora foram levados pela tarde, embalados por um mar de brisa e surtos de vontade. As horas duraram anos onde os toques mais profanos transformaram-se em carinhos, e a relva e o céu de veludo selaram assim em conjunto toda a musicalidade. Da dor fez-se o abraço, da mesmice, o cansaço, e das grades, aliança, de modo que ao despertar prometeram se encontrar no amanhã pra mesma dança.
_____Não viveram nesse dia, permaneceram planando enquanto a manhã se ria, esperando pelo instante em que os dois amantes insanos concretizariam seus planos. Chegado o singelo momento os dois jogaram-se ao relento desejando morrer pelo agora, e as cenas de outrora se repetiram eternamente. Mas na mente de um soldado que passava ali ao lado algo estranho acontecia, naquela hora do dia os campos sempre estavam calmos. Mas de onde vinham os risos que se ouviam lá de longe, como pássaros feridos cujo canto ecoa aos montes? Foi averiguar o fato, e qual foi sua surpresa quando reparou no ato de pureza e desacato?
_____Sem demora e resolutos, ainda tomados de susto, os três se entreolharam desejando se esconder. Porém o soldado do Rei, leal ao seu mestre de Copas, correu pela trilha de volta pra contar o acontecido, e acometido de raiva arrastou pela estrada o encantado pela Espada. A moça, entregue aos prantos, viu quebrar-se todo o encanto do infinito em um segundo, e em silêncio ali ficou vendo o céu cair no mundo por três horas sem parar, tentando acreditar que não foi sonho ou delírio. No campo cresceu uma flor brotada de sal e dor que ali por fim nasceu, depois que a brisa bateu e levou o amado embora: assim que surgiu o Lírio.
_____Para o moço o caminho demorou eternidade, pois tomado de saudade os ponteiros se arrastavam; com receio de jamais voltar a ver sua donzela, deixou pistas para ela sob forma de recados, e em galhos pendurou (longe das vistas do soldado) dezenas de flores que achou, embebidas de orvalho; assim pôde ir de encontro ao julgamento que teria, sabendo que cruel seria por tão grande a falta feita.
_____Chegando ao palácio real foi mandado a esperar enquanto o sagaz escudeiro foi, com pressa, ao Rei contar. Em instantes o que se ouviu foi um brado e um estrondo, que enchendo o salão de medo pôs o moço a ficar tonto: “Falta de juízo e senso eu já tinha visto antes, mas tinha você que se meter em tal volúpia e vil romance? Como Majestade de acerca me cabe tomar a atitude de condená-lo à desgraça para manter-se a virtude; será o primeiro exemplo e o último, faço gosto, de que Copas não são feitos pra se misturarem ao povo! E mandem pregar agora em toda praça o recado de que aqui nas minhas terras, com morte se paga o pecado!!”
_____O caso correu nos vales e pousou em todo o canto, de modo que os moradores estagnaram de espanto. A mocinha enamorada desfaleceu na calçada ao saber do triste fim que enfim teria a sua história, e tratou de, sem demora, ir até a praça central onde encerraria afinal o que mal tinha começado. Encontrou pelo trajeto as flores deixadas ao certo pelo amor que procurava...tratou de achar um disfarce para assistir ao desastre e tentar impedir o crime, mas chegando lá se deu conta de que havia fogueira pronta esperando cumprir-se a sentença.
_____O povo todo da vila pôs se a postos ao redor da fumaça que subia prum céu de pesar que, triste, assistia a folia. Trouxeram então amarrado e com capuz, o condenado, que parecia aceitar o mal tão irremediável. A desesperada menina, vendo tudo da esquina, pulou e chegou num salto aos pés do vendado, ao alto, clamando por piedade, e tomada nem se sabe de que tipo de euforia, desvencilhou-se dos guardas e como que por magia, foi ter ao lado do amigo, pra surpresa da cidade.
_____Disparou-se num discurso pra botar banca no povo, pois achava pouco justo sufocar o amor em dobro, e o que disse foi descrito como narra-se agora: “Não vêem, pobres tolos, que encontrar paixão demora? Não sentem em suas rotinas a falta dessa presença? De dar lugar ao carinho em lugar da indiferença? De que vale um reinado quando imerso em egoísmo, onde sequer se percebe que o amor é um correr riscos?...se divertem assistindo duas almas a ruir, um encontro separado, o egoísmo a difundir? Não me canso em ter tristeza por ver tudo tão perdido, e quando acho que me encontro me é tirado o que preciso?”
_____As palavras desfizeram-se no ar no mesmo ato, e as nuvens se lamberam pelas chamas como em quadro. Do peito da moça viu-se como sólido o soluço e rosto quase de vidro, nocauteado e não-vivo, desfez-se de puro susto...correu quase como em vôo até onde o vento levasse, e foi parar num rio rouco pedindo que a vida acabasse. E então tudo foi calor, tudo foi dia e foi delícia, o riso frouxo voltou sem saber pra onde ia, o corpo se transformou sem ver o que acontecia, fundiu-se aos pés de Laranja, de Amora e de Artemísia.
_____Ao ver-se de novo tão louco, o corpo falhou ao olhar, não podia acreditar no que já não admitia: não via em brasas o chão, sumiu toda a multidão, confusão já não havia. Levantou-se para ver se era real o que vivia, e notou tudo igual, tal qual como conhecia; porém tudo era mais vivo, tudo era mais claro, tudo era tranqüilo, e até o que era igual (como ao longe, o roseiral) ficou mais bonito ao dia. O ar dançou nova dança, o mato mostrou-se em trança e as cores ganharam nuances...o pôr-do-sol, já tão puro, mostrou-se então tão seguro como nunca havia antes, e o mar bateu no rochedo de uma forma que, nos dedos, podia sentir-se a firmeza.
_____Imaginem a surpresa quando ainda tonta e presa às imagens já formadas, viu surgir a alma amada montada em raio de luz. Planou um metro em distância, embebida na fragrância que exalam os sinceros, e desafiou as leis que encarceram a matéria quando quis, por inteiro séria, juntar seus corpos num ponto. Os braços se enovelaram de um modo que terminaram de selar o já selado, e longe e livres de tudo se foram, a correr mundo, nesse mundo novo e pronto.
_____Lá atrás as pessoas ficaram do jeito que estavam antes: o mesmo cachorro passava, o mesmo padeiro prensava, a mesma chuva caía... o mesmo dia findava, a mesma senhora varria...e o mesmo mesmo acontecia. Diferente, de verdade, foi a criança que assistia. Vendo o circo ali formado e desfeito num estalo, deixou mostrar-se sua forma natural, bruta, sombria, e aos muitos olhos crescia o que não se imaginava – a menina ali parada era alma a ver a armada, e que agora já não ria. Ao ver os pares de olhos ali fixos, bem parados, resumiu sua morada, seus motivos, seus recados:
_____“Não venho de longe nem perto, venho de um lugar que, ao certo, é bem diferente deste. Me cansei de ver aqui, já que sempre os observo, valores caindo com os dias e ordem marcada com ferro. Intercedo pelos povos que acredito já há tempos, e acompanho as mudanças, pondo em pratos de balança as faltas e avanços feitos...quis crer numa forma pura de bondade e amor divino, mesmo que muito escondido, morando nos peitos seus. Ao que encontro, dou adeus!, não quero ter de ter parte em tal forma injusta de arte onde há o forte e há o fraco, há o moralista e o errado, o rei e o mendigo nato. Há névoa por toda parte escondendo-lhes, na verdade, o real valor da vida...por isso julgo-me sábio e em poder de tecer meio que poupe mais sofrimento, mas que ensine ao melhor jeito o singular que é o viver.”
_____Na praça alguns gargalharam com a louca que, juravam, era maga ou semelhante, mas tirando as reações (diversas como estações), nada movimentava. Continuou a falar e o tal trato, a reforçar, explicando enquanto andava:
____“O meio é simples, consiste em trocar tudo o que existe pra vocês por outro mundo. Serão outra forma de vida, viverão dez mil partidas, cada qual terá seu lucro...serão por fim retornados ao modo a que estão adequados e as coisas serão como antes, exceto pela diferença que sentirão ao, na mesa (de jogo), serem descartados. Verão como é ser desprezado, e como é ser importante; o Rei saberá da exaustão, como é depender de outra mão, e o bobo seguirá adiante, dessa vez como Curinga e não mais sendo da corte. As linhagens existentes seguirão outras vertentes e ao final, se mesclarão; os artesãos serão Ases, e os moradores as bases desse jogo então formado. Por adiantamento é o que digo, o resto será esculpido por vocês a cada dia.”
_____A praça se viu num clarão mais forte que a luz do dia, e a fumaça que, há tempos, da fogueira já subia, retornou e começou a descer e a tomar corpo, pegou todos tão absortos pelo discurso eloqüente que nem pôde se mostrar tão grandiosa e envolvente quanto realmente queria.
_____O resto (ou metade) da história é o ponto de partida, e a festa celebrada é uma forma imaginada de voltar aos velhos tempos. Como cartas já se sabe ou se imagina o que acontece: muito mais fácil pensar, mais horas pra filosofar, idéias lançadas ao vento; mais leves pra se sonhar com o mundo que, ao voltar, verão mais singelo e mais lento...portanto se uma carta ou baralho todo sumir um dia, não se espante e feliz fique, pois dez mil partidas se foram e mesmo com todo o retorno, não se foi a fantasia...”
Inversão, ou visita, ou ainda acima
"A lua me vê da janela.
Que pensa ela?
Por quem espera
se assim me vê,
ela,
pela janela?"
Que pensa ela?
Por quem espera
se assim me vê,
ela,
pela janela?"
terça-feira, fevereiro 07, 2006
Mesmo com o surto, o vazio
"Todas mil palavras desconexas
são baús de controvérsias
que consigo interligar
Por fora podem não fazer sentido
se só firmam compromisso
com quem as ousa lançar
Pra quê juntar as letras ao acaso
se o homem, prato raso,
não consegue se expressar?
Talvez a tentativa seja o grito
solto pra quebrar o mito
disso tudo se acabar.."
são baús de controvérsias
que consigo interligar
Por fora podem não fazer sentido
se só firmam compromisso
com quem as ousa lançar
Pra quê juntar as letras ao acaso
se o homem, prato raso,
não consegue se expressar?
Talvez a tentativa seja o grito
solto pra quebrar o mito
disso tudo se acabar.."
quarta-feira, janeiro 18, 2006
Em olhos de gato
"Não me matem,
sem ter reconhecimento...
nem me sufoquem
nas garras do esquecimento!
Posso ainda pedir
pra que me conduzam?
Só lhes peço, amigos meus,
não me traduzam!"
sem ter reconhecimento...
nem me sufoquem
nas garras do esquecimento!
Posso ainda pedir
pra que me conduzam?
Só lhes peço, amigos meus,
não me traduzam!"
domingo, janeiro 15, 2006
segunda-feira, janeiro 09, 2006
Liberdade de expressão
"_______Ainda não sei bem onde termina a necessidade do homem de se expressar e onde começa a rebeldia inata de ir contra a maré. Sim, pra mim é clara a importância da arte, seja como literatura, música, escultura ou qualquer outra, como um reduto onde o homem pode ser sem racionalizar, ser fluindo. Para os não tão aventureiros (mas nem por isso menos ávidos), há o biombo do pseudônimo, do anonimato, e sendo assim o tal refugo fica ao alcance de todos que assim o quiserem. Dom, isso existe? E quem pode dividir o bom e o ruim, separar o cult do cafona, estabelecer parâmetros de qualidade, inaugurar um INMETRO artístico?Vamos esquecer, aqui, o ponto final, e dar lugar às reticências...
_______Ouve-se muito – e discute-se pouco – sobre censura. Sim, já se foi a ditadura...mas não é o “piiiiiii” da TV, as tarjas, e os vetos publicitários uma continuidade dessa barreira? A censura já não é escancarada, mas existe sim; ela agora é interna, pessoal. Pensamental, se me permitem o neologismo.
_______Atire o primeiro vinil dos Menudos quem não tem uma bermuda furada, uma camisa rasgada ou uma saia bem breguinha que adora e só usa em casa. E quando toca a campainha então? Correria direto pro guarda-roupa, arrancar a peça. O medo de ser julgado e a facilidade que temos em rotular esmaga a individualidade de quem não tem peito suficiente pra encarar olhares tortos e lançar um sonoro “que é?!”. E, nessa ânsia pelo diferente, tudo vira padrão: o tênis, o filme, a tinta do cabelo...fiquei sabendo, a última agora é ser cult. E cult é aquele que gosta do que a maioria não gosta (ou pelo menos finge que), e vive bem sendo assim, esquisito. Odiar a VEJA, sem nem saber porquê, é cult. Admirar o Che sem nem saber sua nacionalidade, é cult. Havaianas? Cult! Até gostar de sertanejo virou cult, e o que destoava ficou comum...dá até vergonha de dizer que é cult, ou gosta de filmes cult, soa superficial. E quer saber? Tire sua bermuda florida do armário, sua camiseta com foto do sobrinho estampada, bote o CD do Wando pra tocar e seja feliz, que eu não gosto mesmo da VEJA, pinto o cabelo de cereja, adoro o Che, lavo a casa de havaianas lilás com Marisa Monte ou Chico no último volume sim. O que falta mesmo, é a “liberdade pra dentro da cabeça”..."
_______Ouve-se muito – e discute-se pouco – sobre censura. Sim, já se foi a ditadura...mas não é o “piiiiiii” da TV, as tarjas, e os vetos publicitários uma continuidade dessa barreira? A censura já não é escancarada, mas existe sim; ela agora é interna, pessoal. Pensamental, se me permitem o neologismo.
_______Atire o primeiro vinil dos Menudos quem não tem uma bermuda furada, uma camisa rasgada ou uma saia bem breguinha que adora e só usa em casa. E quando toca a campainha então? Correria direto pro guarda-roupa, arrancar a peça. O medo de ser julgado e a facilidade que temos em rotular esmaga a individualidade de quem não tem peito suficiente pra encarar olhares tortos e lançar um sonoro “que é?!”. E, nessa ânsia pelo diferente, tudo vira padrão: o tênis, o filme, a tinta do cabelo...fiquei sabendo, a última agora é ser cult. E cult é aquele que gosta do que a maioria não gosta (ou pelo menos finge que), e vive bem sendo assim, esquisito. Odiar a VEJA, sem nem saber porquê, é cult. Admirar o Che sem nem saber sua nacionalidade, é cult. Havaianas? Cult! Até gostar de sertanejo virou cult, e o que destoava ficou comum...dá até vergonha de dizer que é cult, ou gosta de filmes cult, soa superficial. E quer saber? Tire sua bermuda florida do armário, sua camiseta com foto do sobrinho estampada, bote o CD do Wando pra tocar e seja feliz, que eu não gosto mesmo da VEJA, pinto o cabelo de cereja, adoro o Che, lavo a casa de havaianas lilás com Marisa Monte ou Chico no último volume sim. O que falta mesmo, é a “liberdade pra dentro da cabeça”..."
domingo, janeiro 08, 2006
Soneto sem separação
"Como posso investir e sonhar alto
Se contigo vivo sempre a me provar?
E em prova, como vou chegar de um salto
Sem quebrar-me a cada vez que me deixar?
Não existe, entre amores, maior prova
Que o estar e o conviver em ritmia
Tanto quanto não existe vida nova
Se da velha resta toda a euforia
Vem comigo, não te juro eternidade
Mas no nosso infinito eu paro o tempo
Dá-me a mão e vamos juntos sem vaidade
Nos deixemos ser levados pelo vento
Até não se verem luzes na cidade
E embalarmos, corpo a corpo, em sono lento..."
Se contigo vivo sempre a me provar?
E em prova, como vou chegar de um salto
Sem quebrar-me a cada vez que me deixar?
Não existe, entre amores, maior prova
Que o estar e o conviver em ritmia
Tanto quanto não existe vida nova
Se da velha resta toda a euforia
Vem comigo, não te juro eternidade
Mas no nosso infinito eu paro o tempo
Dá-me a mão e vamos juntos sem vaidade
Nos deixemos ser levados pelo vento
Até não se verem luzes na cidade
E embalarmos, corpo a corpo, em sono lento..."
sábado, janeiro 07, 2006
Trem de ferro
Pro meu avô...maquinista Ary Pereira
baixinha
"Puxa a linha, maquinista!
Não deixa de seguir viagem
se essa linha é rica em desvio,
se de monte e de vale é lotada,
é porque, como tela em vazio,
segue a vida e brinda tua chegada.
E se um vale, d'algum desses frios
ou nuvem, dessas carregadas,
te cobrir - deixa ser - logo vem
monte em flores pra rir tua andada
e não deixa de ir sempre além
porque agora é outra tua estrada
e essa vida que agora te espera
bem melhor que esse mundo de cães
também deve ser rica de ferro
e de linhas, de lírios e pão
Eu aposto que bem na entrada
tem laranja, mimosa e mamão
tem farinha, tem mil onze-horas
e cem pés de azedinho no chão..
Tá no fim, não desiste agora
que esse trem já não tem mais carvão
não tem carga, não tem passageiros
mas o apito ainda puxa-se à mão!
Sobe o morro, devagar, já vem chegando
lá vem vindo, pra te receber
muita gente querendo chegar
mas na frente, eu vejo alguém -
tão bonita, a vó do crochê...
Sei que cansa, mas corre, vai na frente!
Puxa a linha, maquinista..."
baixinha
"Puxa a linha, maquinista!
Não deixa de seguir viagem
se essa linha é rica em desvio,
se de monte e de vale é lotada,
é porque, como tela em vazio,
segue a vida e brinda tua chegada.
E se um vale, d'algum desses frios
ou nuvem, dessas carregadas,
te cobrir - deixa ser - logo vem
monte em flores pra rir tua andada
e não deixa de ir sempre além
porque agora é outra tua estrada
e essa vida que agora te espera
bem melhor que esse mundo de cães
também deve ser rica de ferro
e de linhas, de lírios e pão
Eu aposto que bem na entrada
tem laranja, mimosa e mamão
tem farinha, tem mil onze-horas
e cem pés de azedinho no chão..
Tá no fim, não desiste agora
que esse trem já não tem mais carvão
não tem carga, não tem passageiros
mas o apito ainda puxa-se à mão!
Sobe o morro, devagar, já vem chegando
lá vem vindo, pra te receber
muita gente querendo chegar
mas na frente, eu vejo alguém -
tão bonita, a vó do crochê...
Sei que cansa, mas corre, vai na frente!
Puxa a linha, maquinista..."
domingo, janeiro 01, 2006
Como o tempo é tema eterno
"Tudo dura o (in)exato
de um segundo
1 instante pra nascer ou ser deixado
um só passo do ponteiro é o momento
e o universo inteiro vive em
1000 agoras.
Sendo ave o nosso dia de outrora,
voa mansa a vida inteira num minuto."
de um segundo
1 instante pra nascer ou ser deixado
um só passo do ponteiro é o momento
e o universo inteiro vive em
1000 agoras.
Sendo ave o nosso dia de outrora,
voa mansa a vida inteira num minuto."
segunda-feira, dezembro 26, 2005
Vi dois postes bêbados
"Hoje vi dois postes. Minto!
Hoje vi dois postes, bêbados.
Tortos, pendiam para os lados
se apoiando um no outro,
num equilíbrio dinamicamente perfeito,
própria questão pra físico estudar.
Fiquei pensando no ontem dos postes...
que tinham feito?
Decerto pensaram: "amigo,
dias e anos de poste, parados,
perdidos concretos no espaço.
Vamos beber, brindar,
deixar penderem os fios
e celebrar a noite, nossa!"
E beberam.
E brindaram.
E deixaram que os fios se pendessem,
que os ângulos retos perdessem,
e que o mundo entortasse.
Saí, ainda pensando nos postes.
Quem eram, enfim, os bêbados?"
Hoje vi dois postes, bêbados.
Tortos, pendiam para os lados
se apoiando um no outro,
num equilíbrio dinamicamente perfeito,
própria questão pra físico estudar.
Fiquei pensando no ontem dos postes...
que tinham feito?
Decerto pensaram: "amigo,
dias e anos de poste, parados,
perdidos concretos no espaço.
Vamos beber, brindar,
deixar penderem os fios
e celebrar a noite, nossa!"
E beberam.
E brindaram.
E deixaram que os fios se pendessem,
que os ângulos retos perdessem,
e que o mundo entortasse.
Saí, ainda pensando nos postes.
Quem eram, enfim, os bêbados?"
terça-feira, dezembro 20, 2005
Explosões não são medidas por grafias!
"Explosões não são medidas por grafias!
São tonéis de fantasia
surreal, descomedida!,
com pitadas de demência..
Poesia não se faz com nada extremo,
pois são só nos meios-termos
que se encontra espaço, tempo
e palavras descritivas.
Na euforia, quem busca fotografar
invés de querer guardar
aproveitando cada instante?
Já que o medo do final sempre persiste
e a certeza inexiste
de que irá, sim, retornar."
São tonéis de fantasia
surreal, descomedida!,
com pitadas de demência..
Poesia não se faz com nada extremo,
pois são só nos meios-termos
que se encontra espaço, tempo
e palavras descritivas.
Na euforia, quem busca fotografar
invés de querer guardar
aproveitando cada instante?
Já que o medo do final sempre persiste
e a certeza inexiste
de que irá, sim, retornar."
segunda-feira, dezembro 12, 2005
Nem nada, nem fada, nem...
"Shhh...não fala nada agora,
não olha muito a aurora,
não ora, não chora,
menos ainda vá
embora"
não olha muito a aurora,
não ora, não chora,
menos ainda vá
embora"
sexta-feira, dezembro 02, 2005
E agora?
"Como agrada
ler, em pauta,
nota alta que destoa
tanto quanto
bravo espanto
do meu canto que ressoa.
Melhor ou pior que algo
como "puxa,
gostei, e nem tenho palav
ras pra sentir em mim o
abraço dessa sua opinião"?
Nem tal, nem qual:
- Igual."
ler, em pauta,
nota alta que destoa
tanto quanto
bravo espanto
do meu canto que ressoa.
Melhor ou pior que algo
como "puxa,
gostei, e nem tenho palav
ras pra sentir em mim o
abraço dessa sua opinião"?
Nem tal, nem qual:
- Igual."
Re-torno
"Poesia é água dura e pedra viva,
canta, dorme, ri, respira,
só se mostra ao marejar.
Ao sumir, em meu reduto fiz franquias
do carnaval sem folias
que insisto em prolongar.
E então, por quê voltei e fiz agito
se não fosse por um grito
que ousou me despertar?
Sacudiu-me inundação de pensamento
e de flor de firmamento
me impedindo logicar..."
canta, dorme, ri, respira,
só se mostra ao marejar.
Ao sumir, em meu reduto fiz franquias
do carnaval sem folias
que insisto em prolongar.
E então, por quê voltei e fiz agito
se não fosse por um grito
que ousou me despertar?
Sacudiu-me inundação de pensamento
e de flor de firmamento
me impedindo logicar..."
domingo, novembro 06, 2005
bom dia...
Pessoas, tive que tirar o conto (que já está terminado=D) do blog, pq vou participar de um concurso onde não pode haver publicação do trabalho nem pela net...então, depois coloco aqui pra vcs lerem...se alguém quiser, me pede por e-mail que eu envio, mande pra rubbia@gmail.com ok?
Bjos pra todos, agradeço as visitas, cometários, críticas, elogios, saudades...
Rubia
Bjos pra todos, agradeço as visitas, cometários, críticas, elogios, saudades...
Rubia
sexta-feira, novembro 04, 2005
sábado, outubro 29, 2005
Cena Um - Gravando
"Mendiga, andarilha em teu caminho.
Se você quer
(e eu sei que quer)
Por quê não quer
dizer que quer
um bem-me-quer?
*CLICK*
Gostou? Pois eu detestei. O amor é mesmo ridículo."
Se você quer
(e eu sei que quer)
Por quê não quer
dizer que quer
um bem-me-quer?
*CLICK*
Gostou? Pois eu detestei. O amor é mesmo ridículo."
sexta-feira, outubro 28, 2005
4ª margem
"Cansei de brincar de viver
minha torre anda em diagonal
o cavalo em meu jogo, é o rei
tabuleiro de limão e sal
Eu sei que as horas caminham prum céu
de estrelas de rum com pesar
Via-láctea de sopro de mel
e um dos sóis esperando apontar
É duro renascer
fica melhor se o vento leva
É bom reviver
bem melhor se você me espera
Se uma opinião me abater
ou um gesto rude me atar
vou buscar nos meus braços te ter
peço um carinho teu pra aplacar
Nesse sonho bom que mesclei
com língua e pó de guaraná
não me espanto em ver que não mudei
quero mesmo, por fim, começar
É duro renacer
fica melhor se o vento leva
É bom reviver
bem melhor se você me espera"
minha torre anda em diagonal
o cavalo em meu jogo, é o rei
tabuleiro de limão e sal
Eu sei que as horas caminham prum céu
de estrelas de rum com pesar
Via-láctea de sopro de mel
e um dos sóis esperando apontar
É duro renascer
fica melhor se o vento leva
É bom reviver
bem melhor se você me espera
Se uma opinião me abater
ou um gesto rude me atar
vou buscar nos meus braços te ter
peço um carinho teu pra aplacar
Nesse sonho bom que mesclei
com língua e pó de guaraná
não me espanto em ver que não mudei
quero mesmo, por fim, começar
É duro renacer
fica melhor se o vento leva
É bom reviver
bem melhor se você me espera"
Quadro Surrealista
"Explosão de vontade reprimida,
big bang de desejo acumulado,
canseira batida:
vento parou quando te beijei."
big bang de desejo acumulado,
canseira batida:
vento parou quando te beijei."
Ciranda do Maranhão
"Você gosta do meu verso
e gosta do meu andar
já eu, gosto do teu gesto
e mais ainda do gingar
Não quer dizer quase nada
e é pra eu me acostumar
a jogar com Ás de espada
e não precisar blefar
Sou trançadeira e bordadeira,
bem menina eu sou...
Sem eira ou beira, alfazemeira,
eu vou rodando, eu vou..."
e gosta do meu andar
já eu, gosto do teu gesto
e mais ainda do gingar
Não quer dizer quase nada
e é pra eu me acostumar
a jogar com Ás de espada
e não precisar blefar
Sou trançadeira e bordadeira,
bem menina eu sou...
Sem eira ou beira, alfazemeira,
eu vou rodando, eu vou..."
Discurso sobre outro beijo
"Não foi quando eu pensava,
mas não reclamo:
o perigo mora
se atrás da porta
mora um pé cigano"
mas não reclamo:
o perigo mora
se atrás da porta
mora um pé cigano"
Discurso sobre um beijo
"Uma hora eu voltava
se no tempo eu mandasse,
te mandava de volta
e ia pra outra parte
TRRRRR!
Uma hora eu passava
se no tempo eu mandasse,
te trançava em corda
e ria em ares de arte"
se no tempo eu mandasse,
te mandava de volta
e ia pra outra parte
TRRRRR!
Uma hora eu passava
se no tempo eu mandasse,
te trançava em corda
e ria em ares de arte"
sexta-feira, outubro 21, 2005
Coquetel de líquen
"Hoje o dia me acordou _______,
sendo ___ a manhã que inicia.
_____ me conquistou dançando
em um mol de goteiras na ___.
Respostas da semana anterior:
1- Ventania
2- Lá em casa
3- Teimosia
4- Fogo em brasa
5- ...!"
sendo ___ a manhã que inicia.
_____ me conquistou dançando
em um mol de goteiras na ___.
Respostas da semana anterior:
1- Ventania
2- Lá em casa
3- Teimosia
4- Fogo em brasa
5- ...!"
sexta-feira, outubro 14, 2005
sábado, outubro 08, 2005
Samba de amor
"Meu amor é dia de domingo,
andorinha em verão
é meu ponto de entrada e saída,
meu dó da canção
Mas amor quando
acaba e termina
deixa um vazio frio
e esse amor tão
sem cor de encaminha
em carnaval sem trio
Mas a primeira brisa que anda
carrega o pesar
do amor que não foi verso em ciranda
nem santo de altar
Porque amor que é amor
não desvia,
não some ou desfaz
e esse amor
é a coisa mais limpa
quando vira paz"
andorinha em verão
é meu ponto de entrada e saída,
meu dó da canção
Mas amor quando
acaba e termina
deixa um vazio frio
e esse amor tão
sem cor de encaminha
em carnaval sem trio
Mas a primeira brisa que anda
carrega o pesar
do amor que não foi verso em ciranda
nem santo de altar
Porque amor que é amor
não desvia,
não some ou desfaz
e esse amor
é a coisa mais limpa
quando vira paz"
Versinho lacinho
"Noite assim de pouco frio e muito vento,
tua mão em minha mão e em meu cabelo
eu, menina, não me achava no olhar:
-Moça, que doçura em pouco beijo!"
tua mão em minha mão e em meu cabelo
eu, menina, não me achava no olhar:
-Moça, que doçura em pouco beijo!"
Luz, Saudade e Disritmia
"No meu dia mais comprido e mais Van Gogh,
um sopro chega e a água respira,
o mar vira plástico e o sol refugia
e o céu baila em valsas sabor pão-de-ló
Fui dançada na paisagem de Monet,
pra saber logo então que meu chão é mais vivo
pra ouvir qualquer flor me cantar em assobio
e uma pedra achada no chão reviver
todo dia vou morar nessas pinturas
onde o tempo não hesita em demorar
vou achar beleza em cada cinza-rua
Me encontrei na personalidade Brisa
e desatei o nó do mapa do tesouro
minha vida está no lado C da fita."
um sopro chega e a água respira,
o mar vira plástico e o sol refugia
e o céu baila em valsas sabor pão-de-ló
Fui dançada na paisagem de Monet,
pra saber logo então que meu chão é mais vivo
pra ouvir qualquer flor me cantar em assobio
e uma pedra achada no chão reviver
todo dia vou morar nessas pinturas
onde o tempo não hesita em demorar
vou achar beleza em cada cinza-rua
Me encontrei na personalidade Brisa
e desatei o nó do mapa do tesouro
minha vida está no lado C da fita."
domingo, setembro 11, 2005
Pé cigano
"Essa é minha história;
meu itinerário fraco,
e meu paradeiro.
Não te agrada?
Então te enrola numa fita,
volta atrás, sem despedida
e não retorna até tardar.
(não quero que me veja chorando)
meu itinerário fraco,
e meu paradeiro.
Não te agrada?
Então te enrola numa fita,
volta atrás, sem despedida
e não retorna até tardar.
(não quero que me veja chorando)
Cariño
"Agora que eu estou
assim, transcendental,
espero que me entenda
e que sem demora venha
se juntar ao meu real"
assim, transcendental,
espero que me entenda
e que sem demora venha
se juntar ao meu real"
sábado, setembro 10, 2005
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