quinta-feira, março 24, 2005

Auto da Humanidade

Ato I

"Antes do submundo por que haveria o alto?
Não existe amor sem ódio, nem claridade sem breu
Falsa é toda barroquice, a verdade exponho em auto
Te mantenho assim desperto sem acordo com Orfeu
Civilização perfeita não pode passar de unidade
O poder cega o leproso assim como o paladino
Harmonia só resiste até quando ainda há vale
E a trupe unida e paga entretém o trono à vinho
Mas bebida querem todos, porque contentar com destino?
Cresce em ventre ocioso o feto podre da vingança
Já maduro angaria palitos de chumbo albino
Rouba espadas travestidas para inclinar balança"

Ato II

"Corre solta chama ardente da notícia em sub-pano
Na reflexão tardia cada qual pende vil face
Sabe o trono o que virá, en sem ter plano
Limpa sem fazer esforço a sujeira que há na base
Como líder lutados surge Gabriel em cena
Chance dúbia mostra o peito que protege sem escudo
Decisões por conta própria sem ver a mão que coordena
Encabeça moto e encaminha grupo mudo
Equilíbrio de mandato torna peleja acirrada
Quando torta para um lado, logo volta horizontal
A luta é finda criando mundos opostos em lata
Olhos furados são castigo, traz cegueira coloidal"

Ato III

"Bem como sal e gelo, asas tocam o que é escuro
Projeções desesperadas de um gárgula que tateia
Um império do pó nasce onde sangue só há puro
Nos vãos lava que escorre, no centro dor que incendeia
Supervisiona o rebanho um lord marcado à ferro
A vergonha superada pela cr4ença que há em mente
Por dentro da carne a ausência do que e e belo
E o olhar inexistente que o vôo mira em frente
Forjadas as armas quentes, põe-se em fila vasto bando
De um lado o medo de encerra, do outro já infla e levita
Encorajam frente à mortenum só coro alto canto
Os dias passados se foramo que ao ódio facilita"

Ato IV

"A guerrilha é segunda, mas os lados se extenderam
Negritude se mistura à cada branco que invade
Cinza rouco cobre o tempo num espaço que perderam
Morte em milhões de altares manda que o céu se cale
O destino de quem fracassa mistura sórdidos sabores
Em caldeirão que fulgura elimina a lembrança
No novo chão que renasce sob a forma deça
Berço pronto e situado entre inferno e paraíso
Lança as regras vencedor, mas quem perde já palpita
Acordo selado e cumprido, só falta nome e juízo
Da escória de uma rixa nasce o homem, Terra habita"

Um comentário:

Tiago disse...

"Cresce em ventre ocioso o feto podre da vingança". Caramba! Não é que as rosas tem mesmo espinhos que ferem? Não sabia que você tinha dupla personalidade. A delicada é Rubia e essa aí, quem é? Augusta dos Diabos? :P Kkkkkk.
Amigo doidin esse teu, né?