sábado, julho 02, 2005

domingo, junho 26, 2005

Instantismo

"Agora a goteira é só cinza
do fogo que sobra, é só tinta
com cheiro de fruta sem vida
com jeito de tão revolvida"

sexta-feira, junho 24, 2005

Hoje eu quis chorar

"Hoje eu quis chorar
por todas as crianças já adultas
por todos os adultos já idosos
e todo o tempo não aproveitado...

por toda a imperfeição de ser amado
e toda exatidão dos meus quereres
por todo e qualquer laço renegado

me ensina então, meu mal,
a ser mais bem
pra aproveitar as voltas dessa via
e ser o sinaleiro de parada
das gerações corridas por tão nada

e me alivia o peso de tão pouco
se assim for mais inútil ser tão claro
e o dia for marcado como ouviste"

sexta-feira, junho 17, 2005

Segunda metade

"Agora que é tudo tão corrido,
e que me encontro sem.i.-(m)portante
agora que não moro no meu livro
agora que nem vivo em minha cama?

Me traz pó de flipim pra eu assoprar
ou susto pronto pra eu não assombrar
pontua em semi-breve o meu altar"

Primeira metade

"Deixei em casa todo o meu rascunho
e aqui me achei sem nada pra dizer
cansei de repetir as mesmas coisas!
Cansei de reclamar e malfazer

Me dá um dia teu pra variar
me dá um tempo teu pra eu variar
me dá uma noite pra eu me vadiar"

É isso. É só.

"Me voa num balão?"

Uma pausa

"Esse passo só me traz vergonha
por não dar mais do que posso.
Nunca serei presidente?"

sábado, junho 04, 2005

Sinal de fumaça

"Não tenho paciência pra esperar
pela boa vontade da vida
que tal me ajudar no "pra ontem"?
Te pago em mil prestações de colcheias"

Um ode sem dê

"Fico cada vez mais fã da poesia
que me mata de sem ar
Susto?
Daqueles de trás da porta."

Num momento de recordação

"Quero viver nesse mundo de maio
onde o tempo arrasta em círculos concêntricos
e querer assim me aproximar de raio
que me arraste e aos meus vinte eus idênticos

Ou então chegar no tempo de setembro
pra correr do hemisfério regredido
e botar pra funcionar, se bem me lembro,
teorias de ser nada comedido

Quão versátil pode ser um dia ou noite
pra caber num livro curto mais idéias
me admira poder ter talvez mais monte

E ainda descobrir em fotos velhas
reticências incompletas lá ao longe
pra morrer nesse instante de donzelas"

sexta-feira, maio 27, 2005

Uma influência metafísica

"Tudo que existe consiste
no básico aspecto de sentir
e nesse aspecto encontrado de se ser
de se ir, e então de se voltar
E então tudo assim sendo sem amarras
de deixar levar o rumo cada ego
e mudar de trilha sempre e não ter mapa
pra ser só nessa imensidão de nada."

T/S-10/C

"É hora. Podem trazer,
quero conhecer Deus.
Porquê não agora?
Já sei. Mentiram pra mim né?
...
Shame on you"

iRon1A

"Ha Ha Ha!
Não, não foi uma piada,
e sim meu beijo que morreu
em uma rua numerada."

quinta-feira, maio 26, 2005

Não é bem o que eu queria

"Basta uma linha a se seguir
com ramos bastante pra se poder vagar
com folhas bastantes pra se poder pular
e com flores que deixem meu verão passar.

Com tanta beleza,
só me resta
suicidar."

Insípido

"Dia triste o de hoje em que descobri
que só vivemos pra angariar lembranças,
e se alimentar dessas lembranças em dia de não.

Baú cheio, e daí?
Simples demais, e tudo perde a graça."

sexta-feira, maio 20, 2005

Lição em intervalo de vulcão

"Vou me tatuar com tinta de caneta,
e pintar no antebraço uma figura
e criar um novo código à altura
e manipular nas mãos cada ranhura.

E mostrar nos dedos quinze fotos tuas,
e rasgar toda evidência dessas ruas
e implorar que não atire às línguas nuas
flechas pardas de compasso de corneta.

E arrombar essa maldita maçaneta
e clamar pros meus desejos que não cessem
e julgar quaisquer dos ares que padecem
e deixar aos que quiserem que arremessem

E justificar o sim que não foi dito
e lembrar que é tudo parte de um só mito
e tentar jogar mais lírio nesse rito
Pra tornar mais espanhola essa roleta."

O que ficou

"Vai,
anda,
inda bamba...

Ha-i (de) Kai(r)

"Sem horas,
as senhoras
passam cem horas"

Depois de um sono num banco

"Coisa estranha essa mania que nós temos
de querer tornar complexo o que é simples
e tentar mitificar o que é tão claro
e de arrepender por tudo que não vimos

Em calar pra que voltar, se no momento
em que a chance se apresenta você foge?
E onde é que há pecado em querer tudo
e, na hora, de temer loucura nova?

Curto assim já basta pra falar com calma
quando ainda mais mil milhas faltariam
e também ficam faltando mais cem dias
pra poder saborear o que te toma"

Suspiro

"Dias que foram e que se foram
e levaram tudo que eu tinha de puro
O pinguim e a musiquinha de cantar,
a maleta com a casa pra montar,
o sossego de querer só pular muro...

Não me vejo muito além mesmo sabendo
que da linha mal andei primeiro quarto
E cansei de tentar sempre ir além,
e não quero mais fingir que quero bem
meu destino do qual já me sinto farto..."

sábado, maio 07, 2005

Regret

"Já é noite, e o meu dia já passou
e na noite tudo fica mais escuro
mas é nessa mesma noite que restou
que se pode ver estrela em céu de furo

Se a mudança aparece já num dia
que dirá depois de horas de assossego?
meu desejo agora cai como água fria
em teu rosto, e te desperta desse apego

Assim sendo, não aquieto e te perturbo
pra que ande mais pra frente em menos tempo
e te grito, e te tomo como surdo
já sabendo que você se faz de lento

Mas é essa distração que me fascina
quando o resto mostra flecha em arvoredo
e se assim se expõe de bobo em côrte e rima
bem mais vale que igualar ao sono lêdo

E no fim, por que me tomo de assustada
se comum é toda morte e todo pranto?
e se a vida que assumimos não é nada
e se tudo que buscamos é um canto?

Mas narrada essa miséria é bem mais bela
e o teu dom foi pra tornar caro o carvão
e abrir um pouco as grades dessa cela
e aliviar o peso que há num pão

Derradeiro, passo em falso, puro atraso
é qualquer vã tentativa de completa
como, entanto, ver passar como em arraso
e não ir pegar carona nessa reta?

Não despreza dessa forma o que tua vida
resolver te dar em troca de repente
e então percebe só de uma lida
pra não ver ficar a flor tendo a semente

Sei que minha construção não te agrada
bem como o cotidiano que te espera
mas não veja nada a mais onde há nada
e nem minimiza a pista que te cerca"

De onde vem meu sentimento?

"Sabe o que me
encanta, e que
retoma a minha
olhada? Que me
toma e me
outona, e sempre
nasce
imaginada?
nada disso tão concreto...
apenas curva em traço reto.

sábado, abril 30, 2005

De joelhos

"Faço agora uma encomenda que me cabe
quem me traz um dicionário pra saudade?
Que contenha amor em página marcada

E que diga com certeza mesmo em meia
que efeito causa a lua, quando cheia,
em quem só não acha graça no acordar

Que traduza o que imagino mas não posso
e se possível traga a tona o grito nosso
ou então que solucione meus porquês

E se então com tantos limites em pauta
não for visto, ou sequer se note a falta
que encaminhe só pra mim tal desejar

Mas não seja impiedoso e não me cobre
e que entenda esse presente como nobre
pra aliviar meu mar de incertezas"

Soneto sem voto, sem tempo

"Entre um tic, um tac, um clic e um descompasso
multidões mudam de forma e mudam passo
Entre um cloc, um bléin, um blón, uma ressalva
uma nota fica muda e vira pausa

Na verdade um ponteiro é só o início
de uma queda em dominó que se estende
Carregando no caminho quem, de ofício
tome nota e suicide em teu alpendre

Silencia: não eleva a voz ao dono da verdade,
da justiça que aos mensuráveis cabe,
ao algoz da tua sentença escondida

Não abafa: burla o modo como a vida é conduzida
sustentando em cada ombro a euforia
que espera quem alcança tal idade"

Ode ao Inverno

"Fluxo de vento que me toma de assustada
Impulso em movimento que me encosta na murada
Contínuo, segue os dias sem querer saber de mim
E tutor de seu caminho não se importa em ser sem fim

Qual a graça?
Onde está o desvario de ser temido?
Onde mora a exatidão desse assobio?
E onde fica o riso do que não abrigo?

Num casal de namorados, um conhaque, uma lareira
Cobertor com almofada, vinho, música, fogueira"

Só ouça

"Sobremesa antes do almoço, arrepio de corte grosso,
tudo isso lembra o sonho que não tive.

Que vastidão de incompletices..."

Atropelo

"meubemgostodevocêcomogostariadequalqueroutroalgué
mquemeaparecessenesseminguante"

sexta-feira, abril 29, 2005

Redenção

"Sei que só sou morte quando em terço
pois metade é muita coisa e não me cabe
mas como mostrar flor em campo ao vento
se fingindo o livro tranca e não se abre?

Chave-mestra disponível e em espera
já cansada da areia que encobriu
outro tempo, como que em outra esfera
fuso horário estacionado em abril

Quanta falta faz não ter o que não tenho
ou então me contentar com sonolência
não me julgo ainda assim disposta a sê-lo

Mas confesso que aceito se essa vida
resolver presentear com nova festa
e retorno com mais branco e poesia"

Dança Flamenca

"quando o bom é dois,
toda tarde é boa noite e é manhã
e o teu erro vira graça dia depois
e o que quero já se muda pouco assim

e os enganos só esperam tradução
e o teu corpo vive uma febre terçã
e as palavras querem explicar em vão
teu efeito e tua pausa de marfim

e em sossego deixo o ano renascer
e não quero ter semente de romã
nem torcer pra qualquer lírio florescer
quando as horas forem de jardim sem fim"

sábado, abril 23, 2005

Relato de um sonho sonhado

"Sonho etéreo mente leva,
som estéreo me eleva.
Te alegra?

Acha framboesa em pé de vento...

Em andatto vejo quadros
sem andar festejo fatos
Dias natos?

Culpa tua ausência e teu ver lento...

Fim de noite traz piscar
timbre em foice faz rondar
Posso estar?

Diz ser minha essência teu evento..."

Cimentismo Primeiro

......................e.
...................i.
..............s.a.f.
...........o.r.m...
............a.q....
..............u.....
..............e.....
..............a.....
..............s.....
..............s.....
..............u.....
....m.o.q.u......
...a.n.d.o.d.e.....
....i.t.o.e.d.u.....
......r.m.o.......

sexta-feira, abril 22, 2005

Fluxo de Oriente

"Creio na verdade,
que meu bem maior é menor em escala
que minha imensidão cabe nessa sala
e que cada vão tem o meu pesar."

Pó de Harakiri

"Tá aqui toda a minha vida em 4 linhas,
pode se servir.
Quentinha como pão de padaria.
Torne ao sa(ir)."

Hai kai sentimental

"Pra que querer canto,
se um pouquinho já diz tudo
e me invoca tanto?"

quinta-feira, abril 21, 2005

Rotina na Sé

"santa ma(ria) ouviu um lamento
numa uma manhã de terça-feira.
Ouviu o pranto do coitado,
a-notou no caderninho,
e seguiu com sua vida de santa
planando no celestial."

Erro

."deu.....................mafo......
..rmaq..................uete.......
...enga................nasu........
....rgeo..............laps.........
.....odeu..........mada..........
......ma;m.......asqu...........
.......eval......etal............
........suje...itos.............
.........eemv.(i)d..............
........arma..umco.............
.......ncei.......to?n............
......ãote.........enga...........
.....na,m...........oçaf..........
....rági...............il,c.........
...omum..............beij........
..o;nã...................osem...ate.

Joguete

"fantas( m )ia
lábia minha?
- gato mia."

Apelo

"Não vou mais rimar com sonho e fantasia
só com morte e funeral que vento leve
já bastou ter qualquer verso sem folia
olha bem e vê o fraco autor que rege

Minto bem, mas não me vale te enganar
se no choro não me sobra quem conheça
na verdade sou só louco a plagiar
sem um traço de sorriso que apareça

Mas se mesmo em mentira toco o peito
vale a pena restaurar soltura insana?
Só amor pra me levar onde me aceito...

E me olhando como quero que se mostre
e pedindo pra querer mesmo em defeito
Jura agora conduzir com valsa nobre?"

sábado, abril 09, 2005

Sem redoma

"Se você quiser viver no breu que me elevei
Enquanto você se pintava
Mostro em quarto escuro o que pouco a pouco encontrei
Nesse meu ego de folha riscada

Ou vacila em bruma e se conduz numa quebrada
Tira o mar da luz, esconde em sonho mão sem fada

Se você quiser que mostre o chão em que deite
Enquanto você me mudava
Acho um louco negro pra cruzar tua highway
E abrir, com chave, o que se acelerava

Mas não vira muda, leva em caixa uma alma alada
Volta ao dia em luz enquanto busco uma outra entrada

Se eu te soprar minha autoria em conto-rei
No manto em que eu sonhava
Faça de um provérbio o teu bolero onde direi
Que foi sim completa essa chamada

Só não abandona esse teu lado tão de errata
Vira em alquimia brisa pura de alvorada"

Um apelo ao que ainda há de triste

"Sons de carros, buzinas, faróis gritam.
Mulheres lavam as calçadas.

(...)

Meu peito,
que vazio marca cada grama de insatisfação!
Quanta revolta traz cada passo sem direção,
e quanta dor me cobre ao ver minha minimice.

Teu vil traço,
que me aponta a um passado em fio de algodão,
me convence a não parar em frente à multidão
e fracassa ao mostrar por dentro essa mesmice.

(...)

Noites em claro, vizinhas, lençóis ficam.
Doutores passam nossa entrada."

Vigília

"Pronta.
Pisco.
Peso.
Ainda tonta..."

sexta-feira, abril 08, 2005

Efeito cumulativo

"Meu mundo infla em balão de agaê,
onde sou toda a lona de estrada;
mas também bailo alfinete em pliê
pra um dia de libra marcada...

Nessa espuma em que me viro?

Numa idéia aleatória,
num balanço repetido,
em pouco ritmo ensaiado,
num centrismo corroído..."