sábado, abril 30, 2005

Soneto sem voto, sem tempo

"Entre um tic, um tac, um clic e um descompasso
multidões mudam de forma e mudam passo
Entre um cloc, um bléin, um blón, uma ressalva
uma nota fica muda e vira pausa

Na verdade um ponteiro é só o início
de uma queda em dominó que se estende
Carregando no caminho quem, de ofício
tome nota e suicide em teu alpendre

Silencia: não eleva a voz ao dono da verdade,
da justiça que aos mensuráveis cabe,
ao algoz da tua sentença escondida

Não abafa: burla o modo como a vida é conduzida
sustentando em cada ombro a euforia
que espera quem alcança tal idade"

Um comentário:

*[Escorpião]* disse...

Técnica: gostei que os quartetos estão com esquemas de rimas diferentes! E gostei dos tercetos em AAB BBA , ficou legal!

Um detalhe: no primeiro terceto vc se dirige ao leitor quando fala "tua sentença"? Se for o caso, daí está fora de concordância verbal pq TUA é segunda pessoa e "silencie" e "eleve" é imperativo da terceira(imperativo da segunda = eleves, silecies). Ou muda os verbos, ou coloca "SUA" no lugar de "TUA".

Conteúdo: Sou perigosamente insubordinado: elevo minha voz ao dono da verdade sim! =D
E minha vida é um eterno TIC sem TAC...