sábado, maio 07, 2005

Regret

"Já é noite, e o meu dia já passou
e na noite tudo fica mais escuro
mas é nessa mesma noite que restou
que se pode ver estrela em céu de furo

Se a mudança aparece já num dia
que dirá depois de horas de assossego?
meu desejo agora cai como água fria
em teu rosto, e te desperta desse apego

Assim sendo, não aquieto e te perturbo
pra que ande mais pra frente em menos tempo
e te grito, e te tomo como surdo
já sabendo que você se faz de lento

Mas é essa distração que me fascina
quando o resto mostra flecha em arvoredo
e se assim se expõe de bobo em côrte e rima
bem mais vale que igualar ao sono lêdo

E no fim, por que me tomo de assustada
se comum é toda morte e todo pranto?
e se a vida que assumimos não é nada
e se tudo que buscamos é um canto?

Mas narrada essa miséria é bem mais bela
e o teu dom foi pra tornar caro o carvão
e abrir um pouco as grades dessa cela
e aliviar o peso que há num pão

Derradeiro, passo em falso, puro atraso
é qualquer vã tentativa de completa
como, entanto, ver passar como em arraso
e não ir pegar carona nessa reta?

Não despreza dessa forma o que tua vida
resolver te dar em troca de repente
e então percebe só de uma lida
pra não ver ficar a flor tendo a semente

Sei que minha construção não te agrada
bem como o cotidiano que te espera
mas não veja nada a mais onde há nada
e nem minimiza a pista que te cerca"

Um comentário:

*[Escorpião]* disse...

Bobo em côrte e rimando por um bom tempo.
Cherry, não mande-me minimizar a pista que se possível fosse eu destruí-la-ia(a flexão do verbo deu glória agora hehe).
Tendo a semente? Interessante, anotado.
Mas a construção agora me agrada, cherry, estou aprendendo a ter calma e ser jardineiro. Curta o momento.